quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Os nomes de Madeira Rodrigues para o futebol

Pedro Madeira Rodrigues apresentou ontem parte da sua equipa para o futebol. Ainda não revelou quem será o seu treinador caso vença as eleições, mas revelou três nomes: Lazlo Boloni será o coordenador de todo o futebol e assumirá o papel de treinador interino até ao final da época. Delfim será o Team Manager, responsável pelo acompanhamento logístico da equipa. Ricardo Pina Cabral será o responsável pelas contratações. Madeira Rodrigues referiu também que apresentará o treinador para a próxima época apenas após o jogo com o Estoril.

Fica aqui a conferência de imprensa de Pedro Madeira Rodrigues para quem não teve oportunidade de ver.


Admito que o anúncio de Boloni como coordenador do futebol me apanhou de surpresa. Na minha opinião, pode ser um nome eleitoralmente forte, capaz de cativar alguns sócios: falamos do último treinador que foi campeão pelo Sporting, um cavalheiro que sempre teve um discurso positivo nas ocasiões em que falou do clube, pelo que não haverá nenhum sportinguista que não simpatize com ele.

No entanto, não estou convencido de que seja a pessoa certa para o lugar. Não é por acaso que fui apanhado de surpresa: nunca imaginei que Boloni seria convidado porque a sua carreira não voltou a ter nenhum momento digno de registo após ter sido campeão em Portugal - e falamos de algo que já aconteceu há quase 15 anos. Nas últimas três épocas, Boloni tem estado a treinar um clube do Qatar, após passagens discretas por França, Bélgica, Grécia e Emiratos Árabes Unidos. E convém acrescentar que Boloni não tem experiência na função para que foi convidado por Madeira Rodrigues.

Para além disso, é pouco provável que Boloni tenha sido a primeira escolha do candidato. Em entrevista à CMTV, pouco depois de ter sido apresentado por Madeira Rodrigues, Boloni disse ter sido convidado às 13h30 de ontem. Seria de esperar que a primeira escolha (e segunda, ou mesmo terceira) de Madeira Rodrigues tivesse sido contactada há bastante mais tempo.

Quanto a Delfim, não tenho opinião positiva nem negativa. É um antigo jogador do clube, campeão em 1999/00, convidado para funções semelhantes às que Manolo Vidal tinha, segundo Madeira Rodrigues. Manolo Vidal era uma pessoa muito perspicaz que se mexia bem nos bastidores. Terá Delfim as mesmas valências, considerando que está afastado do futebol profissional desde que se retirou dos relvados há sete anos? Não posso ter certezas sem o ver em ação, mas as dúvidas são legítimas. Eleitoralmente, pouco ou nada acrescentará à candidatura de Madeira Rodrigues.

Quanto a Ricardo Pina Cabral, é o advogado que acompanhou recentemente Madeira Rodrigues ao Kuwait. É alguém próximo do empresário Carlos Gonçalves (Proeleven) e de Marco Silva. Por aqui não há surpresas.


A semana e meia das eleições, Madeira Rodrigues ainda tem de puxar do seu ás de trunfo. Boloni poderá cativar os mais desencantados com Jesus - um é a antítese do outro -, mas não é suficiente para inclinar as eleições a seu favor. Falta o treinador, que precisará de ser um nome indiscutivelmente forte para fazer a diferença. Não compreendo a estratégia de Madeira Rodrigues em adiar o anúncio - assumindo que fala verdade quando diz que já tem o acordo fechado. Se fosse eu o candidato e o meu treinador fosse efetivamente uma bomba, não perderia tempo a apresentá-lo e a colocá-lo a falar tantas vezes quanto possível sobre as ideias que tinha para a equipa. Vamos ver o que os próximos dias nos reservam.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Entrevista a Carlos Vieira

Interessante entrevista de Carlos Vieira, administrador da SAD e vice-presidente do clube com o pelouro das finanças, onde se fala de investidores, do contrato com a Macron, da cobertura do fosso e substituição das cadeiras, e da recompra de VMOCs. 


Cenário hipotético

Recuemos até ao princípio da época de 2013/14. Leonardo Jardim era o treinador do Sporting. Entre os atletas que faziam parte do clube, estava um jovem médio de 20 anos que, na época anterior, tinha dado nas vistas na equipa B. No entanto, Jardim não viu lugar para ele no plantel, acabando por optar por jogadores como William, Adrien, André Martins, Gerson Magrão ou Vítor Silva. 

Esse jovem médio foi reintegrado na equipa B, onde acabou por alguns problemas disciplinares, provavelmente causados por falta de motivação. Sabia que tinha qualidade para outro tipo de desafios.

Entretanto, Gerson Magrão e Vítor Silva não se conseguiram impor na equipa principal, mas nem assim o jovem médio foi promovido à equipa principal. Em janeiro, acabou por ser emprestado a outro clube da I Liga.

A maior parte das pessoas que está a ler estas linhas já deve ter percebido quem é o jovem médio de que estou a falar: João Mário Eduardo. E também conhecem o resto da história. Depois do empréstimo ao V. Setúbal, João Mário regressou ao Sporting, integrando o plantel principal durante duas épocas. Explodiu em 2015/16, tendo Jorge Jesus como treinador. Após duas épocas na equipa principal do Sporting, tornou-se a mais cara transferência de sempre de um jogador português a partir de Portugal. Hoje, ninguém no Inter dá por mal empregados os 40 milhões (que poderão ascender a 45) que pagaram por ele.

Imaginemos agora, recuando novamente a 2013/14, que Bruno de Carvalho, em vez de o emprestar ao V. Setúbal, o tinha vendido ou emprestado com opção de compra. João Mário não regressaria ao Sporting, não contribuiria para a equipa com o seu futebol, e não teria batido o tal recorde de transferências. Ao invés, iria concretizar o seu talento ao serviço de outro emblema.

De quem seria a culpa da oportunidade perdida? De quem decidiu que não tinha lugar no plantel (Leonardo Jardim), ou de quem de quem decidiu vendê-lo prematura e desnecessariamente (Bruno de Carvalho)?

Sabemos bem quem seria considerado o primeiro responsável: Bruno de Carvalho. E, neste caso, com razão. Por mais ou menos discutível que fosse a opção técnica, cabia ao presidente ter uma perspectiva menos imediata de toda a situação. Se confiava no valor do atleta, sabia que iriam haver novas oportunidades para se impor.

Vem isto a propósito de Bernardo Silva. Ontem alinhou num dos melhores jogos da época e, apesar de não ter sido dos jogadores mais influentes em campo, teve uma jogada absolutamente magistral que, caso tivesse terminado em golo, mereceria ser considerado como uma das melhores da época.


(via @olhaoquetedigo)

Inevitavelmente, como acontece sempre que se fala de Bernardo Silva, ressurgiram as críticas a Jorge Jesus. Estamos em 2017, e continuam a acusar o antigo treinador, apesar dos vários exemplos posteriores de jovens da formação do Benfica que foram vendidos sem sequer completarem uma época a jogar com regularidade. Os benfiquistas continuam a criticar Jorge Jesus, como se não existisse na altura uma enorme qualidade no plantel para a sua posição, como se tivesse sido Jesus a dar as rédeas negociais do clube a Jorge Mendes, como se tivesse sido Jesus a despachar o jogador em definitivo à primeira oportunidade, por um valor bastante inferior à cláusula de rescisão. 

Compreende-se: é muito mais cómodo responsabilizar Satã do que a alternativa que sobra.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Para que serve mesmo a CMVM?

A questão não é nova. O controlo que a CMVM faz das contas apresentadas pelas SAD's de futebol é algo de patético. São vários os indícios de que os relatórios que os clubes divulgam não refletem com rigor o seu estado financeiro real, mas, aparentemente, a CMVM não quer saber da nada. De vez em quando dá sinais de vida - como quando suspendeu a negociação das ações do Sporting em bolsa quando rebentou a notícia de que Jorge Jesus se preparava para assinar -, mas, na maior parte dos casos, prefere fingir-se de morta.

Recentemente, tivemos dois bons exemplos.

Em agosto passado, o Porto assegurou o empréstimo de Óliver Torres, referindo a existência de uma opção de compra que poderia ser exercida até finais de 2017. O valor dessa opção não foi especificado.


No princípio deste mês, o diretor de comunicação do Porto referiu, no Porto Canal, que essa opção era, afinal, obrigatória. Deslize inadvertido ou não, o que é facto é que não tardou para que a SAD portista emitisse novo comunicado, referindo que tinha exercido a opção de compra por 20 milhões de euros.


20 milhões. Não falamos de trocos. Para uma SAD com problemas financeiros bem conhecidos - que culminaram num prejuízo de 60 milhões no final da temporada passada -, a omissão de um investimento desta ordem de grandeza deveria, no mínimo, levantar o interesse da CMVM. 

Aliás, toda sequência de acontecimentos e o conteúdo do documento enviado à CMVM apontam para que o objetivo do Porto nesta comunicação tenha sido, somente, evitar ser apanhado na mentira. Dizem que exerceram a opção, sem nunca dizerem que era obrigatória, mas, ao mesmo tempo, dizem que o contrato apenas será efetivado após o final do empréstimo. Ou seja, o comunicado não altera nada na prática, mas é uma forma de reescrever a história. O que fez o regulador? Comeu e calou. Perante esta atitude, não há motivo algum para que as SAD's não voltem a cometer omissões numa situação futura semelhante.

O outro exemplo recente tem a ver com a informação dada pelos clubes sobre os reais direitos que têm sobre os seus atletas. Em particular, o caso de Ederson. Na semana passada, Pedro Sousa fez o seguinte comentário a uma possível venda do guarda-redes brasileiro após o final da presente temporada:


De assinalar que Pedro Sousa não é o primeiro a mencionar que o Benfica não terá o benefício total de uma futura venda de Ederson, o que aumenta a possibilidade de existir um fundo de verdade nesta notícia.

A única referência que o Benfica fez em relação à propriedade do passe de Ederson está no excerto que podem ver de seguida:

R&C SLB SAD, 2015-16, página 133

Sendo verdadeira a informação dada por Pedro Sousa, isso não quer dizer necessariamente que o Benfica esteja a mentir. Por exemplo, o Sporting era proprietário de 100% dos direitos económicos de Slimani, mas o empresário do jogador tinha direito a 20% das mais-valias de uma futura transferência. A diferença é que o Sporting sempre publicou (e bem) essas cláusulas.

R&C SCP SAD, 2015-16, páginas 146 e 184

Não coloquei aqui todos os valores contingentes a pagar e a receber que constam do R&C do Sporting, porque ocupam várias páginas, tal o detalhe colocado. O Benfica, simplesmente, não revela nada.

Ou seja, acredito que o R&C do Benfica não mente (é normal que a SAD detenha 100% dos direitos económicos, porque o Benfica contratou Ederson já depois de a FIFA ter proibido a partilha de passes com terceiros - o que significa que não poderiam fazê-lo com Jorge Mendes), mas poderemos estar perante mais um caso de omissão.

Não seria a primeira vez que o Benfica seria apanhado numa omissão grave. Relembro o episódio da operação de factoring para o recebimento dos valores da venda de Bernardo Silva ao Monaco. O Benfica omitiu nos seus relatórios e contas a transação feita com a XXIII Capital, como ficou provado por A+B neste post: LINK.

Perante isto, é legítimo que se pergunte quantas mais situações destas o Benfica não revela. Quantos jogadores têm daquelas cláusulas que Vieira gosta tanto de referir en passant? No caso de Ederson apenas, 50% de uma potencial venda pode ser coisa para valer 15 ou 20 milhões. E se houver outros? Quantas dezenas de milhões de euros contingentes poderá ter o Benfica um dia que pagar?

São vários os exemplos em que o Benfica varre assuntos delicados para debaixo do tapete. As acções não coincidem, frequentemente, com o discurso e as contas. Domingos Soares Oliveira disse em outubro que o Benfica não precisava de vender, mas Vieira deve ter batido um recorde de milhas acumuladas em companhias aéreas com as viagens a Londres, Paris e China, a reboque de Jorge Mendes, para tentar transferir jogadores seus. Até que ponto as contas traduzirão o estado financeiro real da SAD?

Resta saber por que razão a CMVM, perante casos destes, não pede esclarecimentos mais específicos. Ou será que também aqui o emblema dita a tolerância com que uns e outros são tratados?

O momento televisivo do ano

Quando se pensava que já se tinha visto de tudo nos programas de debate das segundas-feiras, eis que ontem, no Prolongamento, um indignado Pedro Guerra diz a um Padre: "Sr. Padre, vamos lá falar muito a sério, se lhe disserem 'eu sei onde a sua mulher trabalha, eu sei onde os seus filhos andam na escola...'". Que maravilha!



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

E este golo do Fortino?

Marcado ontem, a fechar o resultado em 7-2 frente ao São João. Delícia de jogada e finalização.



Liga Allianz, 17ª jornada: A-dos-Francos 1 - Sporting 6

Vitória importante num jogo que até nem começou bem. O A-dos-Francos chegou a estar na frente do marcador, mas depois apareceu... Showlange, que marcou quatro golos - o primeiro dos quais é uma obra de arte. Os restantes golos foram assinados por Ana Capeta e Amélia Vale Pereira. Podem ver os golos neste vídeo:




Segue-se o jogo do título, no próximo sábado, em Alvalade.

O substituto de Adrien na Amoreira

Quando questionado na conferência de imprensa de rescaldo do Sporting - Rio Ave sobre como iria resolver a ausência por castigo de Adrien na próxima jornada, Jorge Jesus não foi muito concreto na resposta, mas adiantou alguns dos possíveis cenários que andam pela sua cabeça. Falou nas rotinas de posição já adquiridas por Bryan Ruiz e Bruno César, e descartou Francisco Geraldes como opção. Jesus disse que vê o médio recuperado ao Moreirense mais como um ala ou um segundo avançado.

A questão de Geraldes é um tema relativamente sensível porque se trata de um jogador que estava a jogar (e muito bem) no clube para onde o emprestámos para evoluir, e que, regressando à base, custa vê-lo a não ter oportunidades para jogar. Mas a verdade é que, no sistema de Jesus, o papel desempenhado Adrien é absolutamente fulcral para o equilíbrio da equipa. Num meio-campo a dois, este lugar tem de ser ocupado por um médio de elevada rotação, capaz de transportar jogo e ser o primeiro a servir de travão às investidas adversárias. Não tenho dúvidas de que Francisco Geraldes conseguiria substituir Adrien em organização ofensiva - e havendo oportunidades suficientes para se entrosar com os companheiros, não tardaria a fazer melhor do que Adrien -, mas será que tem o que é necessário para o momento defensivo?

Percebo que Jesus o veja como ala ou 2º avançado. Eu, não percebendo nada de futebol, consigo ver Geraldes a fazer o papel que era de João Mário na época passada, mas também a fazer o lugar de Alan Ruiz - agora que joga uns metros mais recuado em relação ao início da época. Como 8 talvez, mas num meio-campo mais povoado.

É claro que, para ser honesto, também nunca vi em Bryan Ruiz as qualidades para fazer a posição - muito menos na péssima forma em que se encontra -, e Bruno César também não atravessa um bom momento. Definitivamente, nenhum dos dois se enquadra na parte da "elevada rotação" que referi atrás. Podem saber como interpretar as ideias do treinador em campo, mas falta a questão da execução.

Se tivesse que apostar, diria que o meio-campo do Sporting na Amoreira será igual ao que acabou o jogo de sábado, ou seja, com Palhinha e William. Apesar de ambos serem médios defensivos, nenhum dos dois se atrapalhará a jogar um pouco mais adiantado no terreno. Não oferecerão o mesmo dinamismo de Adrien com bola, mas serão capazes de garantir maior estabilidade defensiva à equipa. Esperemos para ver o que decidirá Jorge Jesus.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Pleno nos campeonatos nacionais de pista coberta

Grande dia para o atletismo do Sporting: a equipa feminina do Sporting revalidou o título e sagrou-se heptacampeã nacional, enquanto a equipa masculina conquistou o título que lhe fugia desde 2011.

Classificação final, masculino:


Classificação final, feminino:


Parabéns, campeões!

Rui a mostrar porque já são 400

Se eu fosse como muitos comentadeiros que existem nas nossas rádios e televisões dos jogos, estaria agora a dizer que o Sporting mereceu inteiramente a vitória porque soube ser eficaz e fez o jogo que mais lhe interessava a partir do momento em que se viu em vantagem no resultado. No entanto, como não gosto de fazer balanços de jogos em função do resultado final, sou obrigado a admitir que o Sporting foi feliz em ter conquistado a vitória, já que foi o Rio Ave a dispor das melhores oportunidades para marcar. Tenho estado a fazer um esforço de memória para me recordar do último jogo em que o Sporting, tendo produzido uma exibição tão frouxa ao longo dos 90 minutos, tenha conseguido vencer. A verdade é que... não me consigo lembrar. 

Do ponto de vista do espetáculo que qualquer adepto espera ver num jogo para que paga bilhete, foi coisa para justificar pedidos de devolução do dinheiro. Durante os 90 minutos, desinspiração quase total na frente - com algumas honrosas exceções. Para piorar, na primeira parte houve vários momentos de desacerto dos nossos jogadores que deram aos jogadores do Rio Ave a hipótese de causar estragos em contra-ataques rápidos. Valeu-nos, nessas situações, termos entre os postes um guarda-redes que relembrou-nos a todos que não é por acaso que já vai com 400 jogos de leão ao peito.

Até o golo surgiu com uma boa dose de felicidade: começa com uma má receção de bola de William - que o obrigou a um esforço redobrado para impedir a interceção de um adversário - antes de avançar com ela no terreno, e depois com o ressalto que foi parar aos pés de Alan Ruiz.

Na segunda parte, mesmo continuando a jogar mal, a equipa conseguiu estabilizar-se quando não tinha a bola. O Rio Ave também pareceu acusar o desgaste causado pela pressão realizada na primeira parte, e jogou de forma bastante menos esclarecida. Como tal, é justo que se diga que o Sporting, não tendo conseguido dominar o jogo, pelo menos o soube controlar - algo fundamental que tem faltado a esta equipa em momentos em que não se consegue impor e tem o resultado por fechar.





O melhor Rui - no dia em que celebrava os 400 jogos na equipa principal do Sporting, não se poderia desejar de Rui Patrício melhor demonstração dos motivos pelo qual é dono da baliza do clube há mais de 10 anos. Se o Sporting conseguiu os três pontos, deve-o ao que o seu guarda-redes fez durante a primeira parte: quatro defesas em quatro ocasiões flagrantes do Rio Ave, duas das quais fenomenais. Mereceria sempre a homenagem que lhe foi reservada no final, mas a exibição que fez acabou por tornar esse momento simplesmente perfeito.

Novamente Alan Ruiz - Na primeira parte, o argentino foi o único que conseguiu pensar o jogo de ataque da equipa. Quando a bola lhe chegou aos pés, soube sempre temporizar e entregar da melhor forma a dar sequência ao ataque. Marcou o golo da vitória, fazendo o gosto ao pé pelo terceiro jogo consecutivo. Na segunda parte caiu de produção, mas o público presente em Alvalade pôde testemunhar alguns sprints seus para ajudar a defesa - nomeadamente quando via que Gelson não podia ajudar Schelotto. Está cada vez mais integrado e a confirmar-se, finalmente, como reforço.

Pendular Paulo Oliveira - recuperou a titularidade, substituindo Rúben Semedo, mas foi colocado do lado direito, deslocando-se Coates para a sua esquerda. Paulo Oliveira respondeu muito bem, quer nas dobras a Schelotto - e foram várias as que teve que fazer - quer na proteção da área, tendo sido, do setor defensivo, o jogador mais fiável: foi o único que não comprometeu com passes de risco mal direcionados ou perdas de bolas que pareciam controladas face à pressão dos adversários. Ou muito me engano, ou ganhou o lugar.

Consistência defensiva na segunda parte - tem sido um dos grandes problemas do Sporting, pelo que é justo reconhecer que a equipa, percebendo que não havia inspiração para ir atrás do segundo golo, soube manter-se concentrada e coesa durante a segunda parte. Continuaram a haver erros individuais (Jefferson e Schelotto estiveram particularmente mal), mas, sempre que alguém falhava, o resto da equipa conseguiu compensar e evitar sustos como os que ocorreram na primeira parte. 


A qualidade da exibição - obviamente que prefiro que a equipa ganhe jogando mal do que a equipa empate ou perca jogando bem, mas, enquanto apreciador de bom futebol, espero que exibições destas não se repitam muitas vezes.

Desconcentração em situações de risco - o Rio Ave teve mérito na forma como soube pressionar o Sporting em dois terços do terreno, e foi precisamente por aí que conseguiram causar as maiores ocasiões de perigo - com o devido demérito dos nossos jogadores. Das quatro grandes oportunidades de golo do Rio Ave, as duas primeiras surgiram de passes errados de Coates e William, e a última de uma perda de bola escusada de Schelotto (a outra surge de uma falta claríssima sobre Bruno César que o árbitro fingiu não ver). Felizmente, em todas elas, esteve lá Rui Patrício para as resolver.



Vitória diferente, não só por não ser merecida, mas também pelo facto de o Sporting ter conseguido, finalmente, chegar ao fim de um jogo sem sofrer golos - algo que já não acontecia desde a vitória no Restelo, há quase dois meses. Também é necessário saber ganhar assim.