sábado, 21 de janeiro de 2017

Mais do mesmo

Começa a ser complicado fazer um resumo de um jogo do Sporting sem me repetir. Aquilo que aconteceu no final de tarde de hoje foi uma fotocópia daquilo que tantas vezes aconteceu ao longo da época. Posse de bola tão esmagadora quanto inócua, incapaz de servir em condições o matador que tem lá na frente. Uma defesa demasiado exposta aos contra-ataques quando, do outro lado, está uma equipa minimamente competente nessa vertente do jogo. E começa a ser difícil ignorar que não ajuda ter um guarda-redes que, depois da melhor época da sua carreira, está a atravessar uma prolongadíssima má fase. E, facto também recorrente, a arbitragem foi decisiva, ao anular um golo limpo a dez minutos do fim, que nos poderia ter dado a vitória.




Dost e mais dez - mais um golo na única verdadeira oportunidade que teve para marcar. Também fez a assistência para o golo mal anulado de Alan Ruiz. Marcou 10 golos nos últimos 9 jogos para a Liga, provavelmente em 12 ou 13 ocasiões flagrantes que o resto da equipa lhe proporcionou - uma taxa de concretização impressionante.

A estreia de Palhinha - o jovem médio substituiu William no onze inicial e fez, globalmente, um jogo positivo. Finalmente parece haver alternativa na posição de médio defensivo.



Mais dois pontos levados pela arbitragem - não jogámos tão bem quanto deveríamos? Não. Estamos demasiado vulneráveis na defesa? Estamos. Mas, ainda assim, apesar de tudo, marcámos 3 golos limpos, um a mais do que o adversário, num terreno muito complicado. Fizemos o suficiente para ganhar, mas voltamos ao mesmo: enquanto há uns para quem é suficiente jogar o suficiente, para nós só é suficiente jogar o suficiente que dê para ultrapassar o adversário e os eventuais erros das equipas de arbitragem. Não falamos de um erro qualquer. Alan Ruiz parte bem atrás da linha defensiva, num lance que nem é excecionalmente rápido, mas, na dúvida, o fiscal-de-linha de João Pinheiro anulou o lance. Guimarães, Nacional, Benfica, Braga e Marítimo, cinco jogos em que nos roubaram dez pontos. Curiosamente, a distância que, no final desta jornada, nos separará do líder.

O momento terrível de Rui Patrício - não esqueço nem nunca esquecerei os inúmeros pontos que Rui Patrício deu a ganhar ao Sporting nos últimos anos, mas esta época está a ser terrível. Teve responsabilidade nos dois golos. Mal posicionado no livre que deu o primeiro golo do Marítimo, e tinha todas as possibilidades de se sair e socar a bola no segundo. A percentagem de defesas a remates enquadrados está nas ruas da amargura, seguramente ao nível do pior deste campeonato. Neste momento, na minha opinião, Beto deve ser o titular.



O estádio dos Barreiros é um terreno difícil para qualquer equipa. Considerando o atual momento do Sporting, mais difícil a tarefa se afigurava. A equipa voltou a demonstrar os mesmos erros do passado recente, mas, ainda assim, conseguiu, por duas vezes, sair de uma posição de desvantagem, e só não deu a volta ao marcador por causa da arbitragem. Assim fica difícil inverter o mau momento. Para a semana há mais.

Um grande tiro no pé

Bruno de Carvalho anunciou na manhã de ontem outros três nomes para a sua comissão de honra: Jorge Jesus, Nani e Eric Cantona.


Ao final da tarde, Pedro Madeira Rodrigues reagiu desta forma:


Em primeiro lugar, considero que Pedro Madeira Rodrigues tem razão ao dizer que Bruno de Carvalho não devia ter feito o convite e que Jorge Jesus não o deveria ter aceitado. Bruno de Carvalho não deveria fazer convites destes a funcionários do clube. Por serem funcionários do clube, devem manter-se equidistantes porque têm a obrigação de trabalhar com a direção que os sócios escolherem. Bruno de Carvalho, enquanto presidente, deveria perceber isto. Jesus também não deveria ter aceitado sem anunciar a colocação do seu lugar à disposição em caso de derrota do candidato que apoia.

A situação não me incomoda por aí além, porque este apoio público de Jesus à candidatura de Bruno de Carvalho acaba por ser uma forma bastante prática de aniquilar as especulações que têm aparecido na imprensa do costume em relação ao alegado mau relacionamento entre os dois.

Mas que foi útil para a campanha de Bruno de Carvalho, isso é inegável.

Pedro Madeira Rodrigues reagiu da pior forma possível. Em primeiro lugar, um apoio de Jesus a Bruno de Carvalho não implica necessariamente que se posicione CONTRA Madeira Rodrigues ou qualquer outra candidatura. Da mesma forma que a maior parte dos sportinguistas não hesitarão em colocar-se atrás de Madeira Rodrigues caso este vença - tenham ou não votado nele -, Jesus, sendo um profissional do futebol com contrato com o Sporting, também não deixaria de fazer o seu trabalho com um novo presidente.

Em segundo lugar, ao agir desta forma, Madeira Rodrigues cometeu alguns dos pecados de que acusa Bruno de Carvalho: tomou uma decisão a quente, precipitada, e que, concretizando-se, implicará enormes custos para o clube. Não só porque o clube deixaria de contar com Jorge Jesus como seu treinador, mas porque também teria de lhe pagar uma indemnização elevadíssima, correspondente aos dois anos e quatro meses de salários relativos ao resto do contrato. Falamos de um valor próximo dos 15 milhões de euros. Madeira Rodrigues estaria a arranjar o seu caso Doyen logo no seu primeiro dia no cargo, mas em pior.

A contratação e definição do salário de Jesus não são responsabilidade de Madeira Rodrigues, mas enquanto aspirante a presidente, não tem um motivo suficientemente forte que justifique o esbanjamento de 15 milhões de euros no despedimento do treinador - qualquer desavença poderia ser resolvida com uma conversa entre ambos assim que Madeira Rodrigues tomasse posse, caso vencesse as eleições.

Na minha opinião, foi um grande tiro no pé na sua candidatura.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Um clube pujante e modernizado


Estas palavras foram proferidas ontem, durante (mais) um programa sobre a atual situação do Sporting. Rui Pedro Braz disse isto para demonstrar que Bruno de Carvalho encontrou um clube em melhor situação do que quando Pinto da Costa assumiu a presidência do Porto e Vieira assumiu a presidência do Benfica.

Segundo Braz, Bruno de Carvalho apanhou um clube com um estádio moderno e com uma academia a funcionar em pleno. Esqueceu-se de dizer que esse clube pujante e modernizado não tinha dinheiro para pagar salários. Que vendia jogadores ao desbarato, em desespero, de forma a usar a (pequena) fatia que lhe cabia para impedir rescisões de jogadores. Que vendia elevadas percentagens de jogadores, desde jovens da formação até aos melhores atletas da equipa profissional, por valores pouco mais do que simbólicos, muitas vezes para pagar as despesas correntes mais prementes. Que não tinha dinheiro para fazer os trabalhos de manutenção mais correntes das suas instalações. Que já tinha alienado praticamente todo o seu património. Que vivia, anualmente, 45 milhões de euros acima das suas possibilidades. Em suma, que ia hipotecando progressivamente o seu futuro, mês após mês, ano após ano.

Falava-se em fechar as portas e criar um novo clube. Ou em entregar as chaves à banca, para "salvarem" o que pudesse ser salvo.

Não vejo como é que esta situação pode ser considerada melhor do que as de Porto ou Benfica na altura em que os atuais presidentes chegaram ao poder.

Há, realmente, memórias muito seletivas.

P.S.: em breve abordarei os programas apresentados por ambas as candidaturas.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Uma equipa de caceteiros

Mais uma para a lista das coisas demasiado óbvias para se poder dizer que se tratam apenas de coincidências da vida: vale a pena ler o post "Uma equipa de caceteiros", do blogue Tu Vais Vencer , sobre a facilidade com que se mostram cartões a jogadores do Sporting - LINK.

Entretanto, depois de um jogo contra o Boavista em que o Benfica teve razões de queixa, voltou tudo à normalidade na partida de ontem contra o Leixões: um corte de Samaris na área do Benfica em que só toca na bola, quando o resultado estava em 2-0; e, com o resultado em 3-1, Jonas consegue escapar só com amarelo numa agressão evidente - pelos vistos o Jonas Piscinas quer evoluir para Jonas Palmadas...



EDIT 21h43: chamaram-me a atenção para o facto de haver fora-de-jogo do jogador que sofre a carga de Samaris, pelo que o lance deveria ter sido interrompido antes. Aqui fica a devida correção.

Rui Pedro Braz, o Vale e Azevedo do comentário desportivo

A derrota de terça-feira do Sporting - e o consequente aprofundamento da crise em que o clube está envolvido - parece ter tido o condão de libertar todo o ódio a Bruno de Carvalho que andou reprimido durante alguns anos. Nas últimas 24 horas têm chovido críticas de adeptos, "notáveis", rivais, e comentadores, umas justas, outras absolutamente disparatadas.

O cúmulo do disparate foi atingido, precisamente, na noite de terça-feira, na TVI24. Rui Pedro Braz, cerca de uma hora após final da partida de Chaves, não se poupou nas palavras que dispensou a Bruno de Carvalho e à situação do Sporting. É preciso ver para crer.


Há aqui vários pontos que merecem ser mencionados. Vou começar pela afirmação de Rui Pedro Braz em como a situação financeira do Sporting não é melhor do que a que se verificava quando Bruno de Carvalho chegou - que é como quem diz que não é melhor do que a situação que existia quando Godinho Lopes saiu.

Braz fundamenta a sua "opinião" com dois argumentos:
  • O que houve foi apenas uma reestruturação da dívida, havendo obrigações muito, muito grandes à banca;
  • O Sporting continua a ter custos elevadíssimos, baixando os custos do staff, mas triplicando os custos do futebol profissional.

Ora bem, que houve uma reestruturação da dívida, é um facto indesmentível. Mas essa reestruturação da dívida permitiu, entre outras coisas, fasear as tais obrigações à banca em função da obtenção de receitas extraordinárias. O Sporting vai abatendo a dívida à medida que se qualifica para as competições europeias, ou à medida que vai obtendo mais-valias com a venda de jogadores. Ou seja, o Sporting deixou de poder ser forçado a reembolsar os seus empréstimos com o dinheiro proveniente das receitas mais correntes - risco que existia antes da reestruturação. Isto é uma fonte de segurança e estabilidade financeira importantíssima - o clube, cumprindo aquilo a que se comprometeu no acordo de reestruturação, nunca ficará refém da banca, que não pode exigir ou forçar reembolsos para além do que está estipulado.

Em relação aos custos, Braz tem razão. Os custos de staff (refere-se aos fornecimentos e serviços externos, suponho) desceram, enquanto os custos com o futebol profissional aumentaram bastante. Ainda é cedo para se afirmar que podem triplicar, no entanto - aqui já é o comentador a tentar elevar a nota artística em dramatização.

Mas faltou algo fundamental para a análise financeira de Rui Pedro Braz ficar completa: a referência às receitas que o Sporting tinha no tempo de Godinho Lopes e às que tem hoje. Comparemos o 1º trimestre de 2012/13 (última época de Godinho Lopes) com o 1º trimestre de 2016/17 (as últimas contas disponíveis):


Podemos ver, por exemplo, que os custos com pessoal cresceram 50% de há quatro anos para cá. Nas primeiras temporadas de Bruno de Carvalho, os custos com pessoal desceram muito, é verdade. Com a chegada de Jorge Jesus, houve um aumento significativo que corresponde ao maior orçamento de sempre do clube. Facto.

Mas olhemos então para as receitas: a bilheteira triplicou; os patrocínios aumentaram em 50%; os direitos televisivos duplicaram, e aumentarão ainda mais quando o novo contrato com a NOS entrar em vigor; o clube participou, por duas ocasiões, na Liga dos Campeões - coisa que com Godinho Lopes nunca aconteceu -, com um óbvio impacto nas contas;  e, last but not least, as receitas com a transferências de jogadores dispararam, com a realização das duas maiores vendas da história do clube.

O Sporting tem hoje custos mais elevados? Sim, tem. Mas tem também fontes de receita bem mais robustas, que permitem que a SAD tenha uma capacidade bastante superior de suportar esses custos. Se assim não fosse, a comparação entre os resultados operacionais dos 1ºs trimestres de 2012/13 e 2016/17 não teria um aspeto tão desequilibrado:


Convém relembrar aos mais esquecidos (e aos mais distraídos) - onde poderemos incluir o caso de Rui Pedro Braz - que as duas épocas de Godinho Lopes se cifraram em prejuízos acumulados de 89 milhões de euros. Bruno de Carvalho, no conjunto das quatro épocas que teve oportunidade de preparar, apresentará lucros bastante apreciáveis. Convém recordar que, desde que a SAD foi constituída, apenas Filipe Soares Franco conseguiu apresentar lucros com regularidade, mas muito à custa da venda de património. Bruno de Carvalho não só não vendeu património, como se prepara para inaugurar o Pavilhão João Rocha.

Portanto, ao afirmar que a situação de hoje não é melhor do que quando Bruno de Carvalho chegou ao clube, Rui Pedro Braz revela pelo menos uma de duas coisas: ignorância ou desonestidade (ou ambas, o que não é de todo impossível).

Para além disso, a perspetiva futura é bem mais risonha do que há quatro anos. Godinho Lopes deixou um plantel completamente desvalorizado e com pouquíssimo mercado. Foi obrigado a vender Van Wolfswinkel por 10 milhões, dos quais o clube apenas recebeu 3 milhões - porque apenas tinha 30% do passe -, que foram de imediato canalizados para o pagamento de salários em atraso. Hoje, o clube tem um plantel com vários jogadores muito bem cotados, e conseguiu-se recuperar a quase totalidade das percentagens dos passes. Aquilo que o clube valoriza hoje, é para o proveito do clube, e não de terceiros.

E já nem entro na questão desportiva. Compara-se o (péssimo) 4º lugar atual com o 7º de há quatro épocas... mas eu lembro-me bem que em 2012/13, o Sporting andou a namorar com os lugares de despromoção durante uma boa parte da competição.


Convém, efetivamente, ter memória, e contar a história completa. Infelizmente, os canais de televisão estão cada vez mais repletos de profissionais da desinformação.


O Vale e Azevedo do comentário desportivo

Para rematar a ridícula análise às contas do Sporting, Rui Pedro Braz jogou a cartada Vale e Azevedo, o último recurso de quem já não se consegue lembrar de outras formas de insultar um dirigente desportivo.

Podia estar bem calado, porque se há alguém que se possa comparar ao aldrabão e demagogo ex-presidente benfiquista, é o próprio comentador.

Quando falamos de Rui Pedro Braz, falamos de alguém que muda de opinião sobre os mais diferentes temas, conforme aquilo que lhe convém. Vale a pena recordar as críticas que fez à cláusula de rescisão de 60 milhões de João Mário...


"pode ser negativo para o próprio jogador, que fica preso"

... para, poucos meses mais tarde, não poupar elogios às cláusulas de 60 e 80 milhões de Nelson Semedo e Renato Sanches.

"são cláusulas para passar uma mensagem de que o Benfica aposta muito forte nos seus jovens, e de que os jogadores não  sairão do clube antes de atingirem a sua maturação futebolística, um ponto de grande motivação para os outros jovens da formação"

Ou aquela vez em que Braz mentiu, ao dizer que Bruno de Carvalho tinha desmentido, numa Assembleia Geral, a existência de uma penhora após a decisão desfavorável no caso Rojo...



... quando, na verdade, a tinha confirmado.

Ou a forma como Braz reportou o "roubo" de Bakic que o Benfica fez ao Sporting, onde tinha prevalecido a vontade do jogador...


... mas que, quando acabou por ir parar a Braga, não foi possível dizer mais do que "há coisas que não são para dizer, há coisas que não podem ser ditas, e há coisas que também não interessa partilhar".

Ou ainda, por exemplo, o programa em que disse que nenhum presidente com experiência (usando explicitamente Vieira e Pinto da Costa como bons exemplos) cometeria o erro de Bruno de Carvalho ao contratar Shikabala...


..."esquecendo-se" do que se tinha passado uns meses antes, com a aquisição de Taarabt pelo Benfica.

E, para terminar - apesar de ter muito mais exemplos para mostrar, o post já vai longo - não posso deixar de recordar esse momento clássico do comentário desportivo moderno, quando Rui Pedro Braz disse, por ocasião da convocatória de Paulo Bento para o Mundial de 2014, disse que Adrien Silva não estava ao nível de Rúben Amorim, porque este era o suplente do Enzo"...


... colocando o agora capitão do Sporting ao nível de "um Josué". Só dá para rir.

Rui Pedro Braz tem um longo historial gravado de incorreções, deturpações e mentiras, com o exclusivo propósito de atacar o Sporting. É uma espécie de símbolo do novo profissional do comentário que ajudou a destruir em definitivo a credibilidade da comunicação social. Falamos de gente que, sob a capa do jornalismo isento, tem como missão a propagação de uma agenda comunicacional bem definida, e que é capaz de dizer o que for preciso para fazer passar a sua mensagem. Mais ou menos o que fazia Vale e Azevedo, se formos bem a ver.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Bryan Ruiz, jogador do ano da CONCACAF


Uma distinção importante que premeia uma grande época, quer ao serviço do Sporting, quer ao serviço da sua seleção. Que sirva de estímulo para regressar depressa ao nível que nos encantou no seu primeiro ano de leão ao peito.

Parabéns, Bryan!

Que as decisões estejam ao nível das palavras

Mensagem de Bruno de Carvalho no Facebook, publicada no início desta manhã. Gostei do conteúdo. Esperemos que a qualidade das decisões que se tomarão nas próximas semanas estejam ao nível das palavras.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Era uma vez 2016/17

Em janeiro, estamos fora da luta por todas as competições. Considerando os objetivos traçados no início da época e o investimento feito, só se pode categorizar esta época como desastrosa.

O que aconteceu hoje não foi pior do que em muitos outros jogos. Não vale a pena repetir tudo aquilo que correu mal, tudo aquilo que foi mal feito e tudo aquilo que poderia ter sido feito de maneira diferente.

2016/17 acabou. Continuarei, como é evidente, a ocupar o meu lugar em todos os jogos em Alvalade, mas com uma expetativa diferente em relação ao que foi a época passada e à forma como partimos para esta época. A altura não é de entrar em modo de autodestruição. É de analisar, com toda a calma possível e tentar recuperar o que for possível após sete meses perdidos, procurando aproveitar o que pode ser aproveitado já com a próxima época em vista.

P.S.: parabéns ao Chaves, que seja feliz no que resta desta competição.

As alterações na política de contratações para 2017/18

A edição de ontem do Record deu conta de uma reunião de três horas entre Bruno de Carvalho e Jorge Jesus, em que um dos temas abordados terá sido a necessidade de alterar a política das contratações já na próxima temporada.



Segundo o Record, o Sporting planeia fazer esta reformulação em duas frentes distintas.

Em primeiro lugar, o departamento de scouting e a cadeia de decisão das contratações serão reestruturados. A minha conclusão é que isto significa que o treinador perderá peso na escolha final dos nomes propriamente ditos - apesar de, obviamente, a indicação das características que pretende nos jogadores continuar a ser competência sua. Parece-me uma decisão sensata, face ao balanço que se pode fazer do que aconteceu nesta pré-época: foram satisfeitos muitos pedidos expressos de Jesus, mas pouquíssimos corresponderam às expetativas. Isto nem sequer é novidade na sua carreira: quando treinava o Benfica, Jesus também ganhou muito peso nas contratações na sua segunda época. Na altura, tal como agora, o acerto deixou muito a desejar e grande parte desse poder foi-lhe retirado.

Em segundo lugar, em vez de se continuar a apostar em jogadores "feitos" e com currículo, a estratégia passará por voltar a privilegiar a contratação de jovens com grande margem de progressão. Isto, na minha opinião, é obrigatório para um clube como o Sporting. O que aconteceu esta época não pode ser repetido. Não entrou um único jogador a quem se veja, a curto prazo, um grau de valorização elevado. Considerando o aumento dos custos com salários nas últimas duas épocas, o Sporting precisará, em cada época, de vender bem pelo menos um jogador. Isso não é um problema para os próximos 2 anos - felizmente existem muitos jogadores com mercado -, mas é necessário manter uma linha de desenvolvimento de jogadores ininterrupta, pois é a única forma de conciliar a necessidade de vender com o sucesso desportivo que todos desejamos.

Claro que tudo isto é muito bonito no papel, mas para funcionar será fundamental escolher as pessoas certas - até porque convém não esquecer que o balanço das contratações pré-Jesus também deixou muito a desejar. Ao longo dos quase quatro anos como presidente, certamente que já passaram, pelas mãos de Bruno Carvalho, propostas suficientes de jogadores que lhe permitam perceber quais são as pessoas que têm mais olho para o potencial dos atletas. Não sei se essas pessoas já estarão dentro do clube ou se terão que vir de fora, mas espero que o presidente saiba tomar as decisões corretas. Não há muitas coisas que aprecie em Vieira, mas se existem qualidades que lhe reconheço, enquanto presidente do Benfica, é a de ter sabido - apenas ao fim de muitos anos, é certo - rodear-se de profissionais competentes e a de não ter problemas em delegar. Se já existir, dentro do clube, gente com competências para assumir essas funções, há que apostar nessas pessoas. Não havendo, há que as procurar noutros lados. Em assuntos profissionais, a lealdade é uma qualidade importante, mas apenas se for acompanhada por competência.

P.S.: infelizmente, olhando para a presença de nomes como Vicente Moura e Marta Soares na lista de Bruno de Carvalho para o novo mandato, fico com dúvidas sobre se o presidente tem opinião semelhante à minha na questão da lealdade/competência.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Liga Allianz, 13ª jornada: Fut. Benfica 2 - Sporting 3

Foi ultrapassada com distinção a terrível sequência de deslocações que a equipa de futebol feminino do Sporting fez no final da primeira volta da Liga Allianz, com as visitas ao Valadares (vitória por 1-0) e, no sábado passado, ao Futebol Benfica.

Vitória por 3-2 no terreno das bicampeãs nacionais, com destaque óbvio para a exibição de Diana Silva, responsável pelas assistências nos três golos - marcados por Solange Carvalhas (2) e Tatiana Pinto -, e para a capacidade que houve na manutenção da vantagem nos últimos quinze minutos, em que a equipa jogou em inferioridade numérica.


A vitória permite ao Sporting continuar na liderança, mas com mais um jogo realizado do que o Braga.