sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Conceição, Casillas, Sá, Vitória e Svilar

Os jogos de Porto e Benfica para a Liga dos Campeões lançaram a discussão sobre as apostas que os respetivos treinadores fizeram para a baliza: Sérgio Conceição, sem que nada o fizesse prever, colocou Casillas no banco e lançou José Sá na Alemanha; Rui Vitória, não tão surpreendentemente, deu a Svilar a estreia na Luz contra o Manchester United, tornando o belga o mais jovem guarda-redes a alinhar na história da Liga dos Campeões.

No entanto, apesar do que se possa ter dito num dos casos, ambas as apostas correram mal. Os dois guarda-redes tiveram culpas num golo dos seus adversários, golos esses que acabaram por ser determinantes no desfecho dos dois encontros.

Duas decisões polémicas, por motivos diferentes.


Conceição, Casillas e Sá

No caso de José Sá, a surpresa foi total porque Casillas tem estado a fazer boas exibições. Depois de uma primeira época irregular em que custou vários pontos à sua equipa, o veterano guarda-redes espanhol subiu de rendimento na época passada e estava a manter a bitola elevada na atual. Com exceção de um dos golos sofridos contra o Besiktas, não havia nada a apontar às suas exibições. A opção de Sérgio Conceição em tirá-lo do onze num jogo da Liga dos Campeões ainda mais estranha fica se olharmos para o perfil do jogador que o substituiu. Na minha opinião, José Sá não é um guarda-redes com potencial para vir a ser titular absoluto numa equipa com as ambições do Porto: aos 24 anos, tem apenas 17 partidas disputadas na I Liga. Muito pouco, mesmo considerando que os parâmetros de evolução de um guarda-redes são diferentes dos que se aplicam aos jogadores de campo.

Nenhum treinador, no seu perfeito juízo, tomaria uma decisão destas por questões meramente técnicas. É legítimo que se as pessoas se questionem se terá havido algum problema disciplinar na origem da saída de Casillas do onze. Não havendo, as alternativas que sobrariam não seriam propriamente abonatórias para Conceição: ou excesso de confiança, a querer sacar novo coelho da cartola (um pouco à imagem do que fez com Sérgio Oliveira) num jogo de grande visibilidade; ou um capricho, aproveitando o momento de popularidade adquirida (muito justamente) entre os adeptos portistas para retirar um jogador que, por algum motivo, não aprecia.

O Jogo refere na sua edição de hoje que, na base desta decisão, está a insatisfação da equipa técnica pela falta de empenho nos treinos e pelo uso indevido do telemóvel. Pelo que me diz alguém bem informado, o que O Jogo escreveu é um eufemismo para o que realmente se está a passar: Casillas tem, ao que parece, uma atitude permanente de prima donna - das quais a falta de empenho nos treinos e nos estágios é um dos exemplos -, e já usou o telemóvel para fazer lives do autocarro da equipa numa altura em que as convocatórias ainda não eram do conhecimento público. Algo mais ou menos na linha da postura que tinha quando ainda jogava no Real Madrid:


Para tomar uma decisão desta importância, pode-se concluir que Conceição vê em Casillas uma ameaça para a coesão do grupo e para a continuidade da boa época que a equipa tem feito. A pergunta que se pode colocar perante isto é: será uma decisão justa ou é excesso de zelo por parte do treinador, considerando a importância que Casillas tem tido? E até que ponto o afastamento do guarda-redes espanhol poderá vir a revelar-se contraproducente dentro de campo?


Vitória e Svilar

Em relação a Svilar, a opção é menos difícil de compreender se considerarmos que Varela parece ter caído em desgraça (a forma como Rui Vitória o descartou após o erro do Bessa é muito discutível, ao passá-lo diretamente de titular para não convocado) e que Júlio César parece estar cada vez mais afastado do nível que o celebrizou. 

Rui Vitória diz que foi uma opção ponderada, mas não sei até que ponto isso é verdade, porque conhece-se a sua apetência para lançar jovens na sequência de maus resultados: em anos anteriores acertou no jackpot com Renato e fracassou com Clésio, enquanto esta época já lançou Rúben Dias após a derrota com o CSKA. Esta semana foi a vez de Svilar e Diogo Gonçalves. Sinceramente, dá mais ideia de os estar a usar como uma espécie de escudos humanos, que aumentam a tolerância ao inêxito junto dos adeptos, do que algo realmente pensado e que proteja os interesses da equipa e dos próprios jogadores.

Se o Benfica vê em Svilar potencial para vir a ser um guarda-redes de top mundial, é normal que, perante a falta atual de concorrência, se sinta tentado a antecipar a sua utilização. Agora, uma coisa é ir lançando o jogador em partidas em que tenha alguma margem para errar (nada a dizer na sua utilização contra o Olhanense, como nada haveria a dizer em jogos da Liga em casa contra as equipas teoricamente mais fracas), outra é atirá-lo às feras de forma tão repentina. Às vezes corre bem, outras vezes corre mal. Na quarta-feira correu mal.

As palavras que Mourinho dirigiu ao jovem guarda-redes foram simpáticas, mas parvo é coisa que o treinador do Manchester United não é:


O Benfica parece estar a querer utilizar em Svilar fórmulas bem sucedidas no passada: acreditam que têm em Svilar um novo Oblak/Ederson, e estão a aplicar-lhe o marketing usado com Renato. O problema é que cada caso é um caso: Oblak e Ederson já tinham 3 ou 4 anos de sénior, a jogar noutras equipas, antes de assumirem a titularidade no Benfica; e Renato Sanches ocupava uma zona do terreno em que os erros não se pagam tão caro.

Ainda assim, tomando como verdadeiro o potencial que Svilar parece ter, ao menos será um investimento que, mais cedo ou mais tarde, dará frutos - já sobre o Porto e Sá não se poderá dizer o mesmo.

Acredito, por isso, que o Benfica aposte de forma consistente no belga, pelo menos até janeiro - altura em que entra Vlachodimos. Resta saber se Svilar conseguirá corresponder às expectativas criadas no tempo de jogo que entretanto lhe será dado. Mesmo que não corra tão bem quanto os responsáveis pelo clube desejam, não haverá um tratamento idêntico a Varela, porque Varela nunca foi visto como o futuro da baliza benfiquista, e apenas ficou no plantel porque a contratação de Hradecky falhou. A margem de progressão e os ganhos que o Benfica poderá vir a ter com o jogador não estão em causa, mas é, sem dúvida, uma jogada de risco num ano em que o 3º classificado não entra na Liga dos Campeões.

O Sporting é candidato a vencer a Champions e esqueceram-se de me avisar?

Os comentários de Ribeiro Cristóvão, tanto em conteúdo como na forma, já são um clássico do jornalismo desportivo português. A facilidade com que se deslumbra com os feitos (ou não-feitos) de determinados clubes só é comparável à facilidade com que destila mesquinhez quando o tema é o Sporting.

O lançamento que fez da eliminatória entre o Sporting e o Manchester City figurará num local central do sobrepovoado panteão dos comentários de trampa que diariamente se vão fazendo por cá, mas Ribeiro Cristóvão tem-nos brindado com outras pérolas que é difícil esquecer: para atacar a implementação do VAR, disse que o futebol é um jogo de erros; disse ter dificuldade em ver uma agressão mais que óbvia de Samaris a um jogador do Moreirense; e transformou a cartilha benfiquista num exemplo de boa organização de comunicação, só para referir algumas das mais recentes.

Ontem, Ribeiro Cristóvão fez um balanço, no site da RR, dos jogos europeus de Sporting e Benfica. Como se sabe, ambos os clubes perderam. Como se sabe, um jogou em casa contra um adversário poderoso, enquanto o outro jogou fora contra um adversário igualmente ou ainda ou mais poderoso, sendo que o que jogou fora só sofreu o golo da derrota a escassos minutos do fim. No entanto, olhando para o que escreveu Ribeiro Cristóvão, parece que se passou uma coisa completamente diferente:


De um lado, a "qualidade muito acima da média" da equipa de Mourinho não permitia alimentar esperanças ao Benfica. Afinal, o Manchester United tem o objetivo de vencer a champions, ao contrário da equipa portuguesa. E, segundo Ribeiro Critóvão, a arriscada aposta de Rui Vitória em alguns jovens até nem correu mal (!), pois deixaram boas indicações. Gostava de saber que asneiras tem de fazer um jogador jovem para se poder dizer que a aposta correu mal. Pelos vistos não basta ser responsável pelo único golo do jogo.

Do outro, o Sporting, que fez um bom jogo "frente a uma Juventus contra a qual poderia ter feito melhor". Então, o Sporting, a jogar fora contra o vice-campeão europeu, é que podia ter feito melhor? E, claro, as decisões de Jorge Jesus que não são fáceis de entender e que deram mau resultado. Deste lado não houve boas indicações de ninguém nem mérito do treinador na estratégia adotada que anulou uma equipa recheada de estrelas... Se ao menos Jesus tivesse atirado às feras um par de jovens inexperientes...

Pelos vistos, para Ribeiro Cristóvão, a Juventus não tem a ambição de vencer a Liga dos Campeões, ou então é o Sporting que é candidato a ser campeão europeu...

(Obrigado, Sérgio!)

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Os sorteios do dia

Foram realizados há pouco os sorteios para a ronda de elite da UEFA Futsal Cup e para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal.

Na competição de futsal, o Sporting terá novamente, como principal adversário nesta ronda, uma equipa russa: o Dina. O Braga terá uma tarefa quase impossível, já que calhou num grupo que terá duas equipas que estiveram na final four do ano passado.


Na Taça de Portugal, o sorteio foi simpático. O Sporting recebe o Famalicão, naquele que será o terceiro jogo entre as duas equipas nas últimas quatro edições da competição. O Porto recebe o Portimonense e o Benfica recebe o V. Setúbal.


Groundhog Day

Mais um jogo contra um tubarão europeu, mais uma exibição personalizada... e mais uma derrota tangencial. Como qualquer filme com demasiadas reposições, até podemos achar algum interesse no enredo, mas às tantas começamos a ficar fartos de ver a mesma história vezes sem conta. Real Madrid por duas vezes, Dortmund por duas vezes, Barcelona, e agora Juventus: seis jogos contra tubarões, sexta derrota por um golo de diferença.





De olhos nos olhos contra o vice-campeão europeu - qualquer análise que se faça ao jogo não pode ignorar o facto de a Juventus ser o atual vice-campeão europeu e o plantel riquíssimo de que dispõe. A meio da segunda parte, descontente com o decurso do jogo, Allegri mete em campo Douglas Costa e Matuidi, o que é um bom indicador da diferença de recursos existente entre as duas equipas. Não se pode apontar nada à estratégia montada por Jesus, que teve a virtude de anular muitos dos pontos fortes de um adversário de top mundial. Infelizmente, voltou a faltar um bocadinho assim, à Danoninho, mas seria injusto ignorar tudo o que foi bem feito.

Bruno Fernandes - a estratégia montada por Jesus tem o problema de exigir muito dos jogadores de características ofensivas: Acuña, Gelson e Bruno Fernandes têm um papel importantíssimo no apoio defensivo, os laterais pouco sobem, o que significava que, no momento de construção, os portadores da bola tivessem sempre poucas opções para desenvolver lances ofensivos. Para piorar, ainda não foi desta que Acuña, Gelson e Dost subiram de rendimento em relação ao que tem sido norma nos últimos jogos. No meio de todos estes constrangimentos, Bruno Fernandes foi o único que foi conseguindo inventar alguma coisa com a bola nos pés. Bom jogo.

Concentração da linha defensiva - Piccini, Coates, Mathieu e Coentrão tiveram muito trabalho e, tirando um outro lapso, foram resolvendo bem todos os problemas colocados pela Juventus. De referir também que Patrício defendeu tudo o que tinha defesa, e que Battaglia fez um grande trabalho a secar Dybala.



Groundhog Day - esta mania recorrente de perder jogos contra os todo-poderosos do futebol europeu faz lembrar a maldição de Bill Murray no filme mencionado no início deste parágrafo. Cada vez que acordava, Murray era obrigado a reviver o mesmo dia - e foi assim que me senti no momento em que o Sporting sofreu no 2º golo. Sim, compreendo a dificuldade que adversários deste nível representam, compreendo que há mérito na forma como temos discutido os jogos... mas começa a cansar sair sempre derrotado. Analisando cada partida isoladamente, não podemos apontar grandes críticas à equipa, mas, olhando para o conjunto, é cada vez mais complicado ver um lado positivo em exibições que redundam constantemente em derrotas tangenciais.

Um problema nada lateral - durante o jogo, foram vários os cruzamentos da Juventus atirados para o segundo poste. Piccini e Coentrão, com maior ou menor dificuldade, foram resolvendo. Cedendo canto, ganhando a posição e deixando a bola seguir na direção da bandeirola de canto ou da linha de fundo, ou aliviando para fora da área. Saiu Coentrão, entrou Jonathan... e sofremos o segundo golo com um cruzamento para o segundo poste. O segundo golo sofrido na Grécia também foi sofrido com um cruzamento para o segundo poste, com o mesmo Jonathan. Mandzukic é mais alto? É. Mas bastaria a Jonathan antecipar o que iria acontecer e preparar-se para saltar na direção da bola em vez de ficar a aguardar com as pernas rígidas e os pés pregados ao chão - ou seja, aquilo que Piccini e Coentrão já mostraram saber fazer quando confrontados com situações de jogo idênticas. O rapaz faz o melhor que sabe, mas está mais que visto que aquilo que sabe não é suficiente para este nível.

Pormenores que custam pontos - seria injusto, no entanto, não referir a falta desnecessária de Battaglia que originou o livre que Pjanic converteria no primeiro golo italiano. O argentino fez um bom jogo, mas a equipa pagou caro por esta má abordagem.

As substituições - compreendo o que Jesus quis fazer, mas, infelizmente, a substituição de Gelson por Palhinha não surtiu o efeito que o treinador pretendia. A altura do jogo em que Jesus decide mudar a equipa coincide com a fase da partida em que se estava a conseguir manter a bola no meio-campo italiano como nunca tinha acontecido até então. Gelson estava a jogar mal, sem conseguir criar desequilíbrios, mas pelo menos estava a conseguir segurar a bola e fazê-la circular sob pressão - coisa que se perdeu após a sua saída. A Juventus voltou a empurrar o Sporting para junto da sua baliza, e o resto é história. Quanto à troca de Coentrão por Jonathan, conhecemos as limitações físicas do primeiro e as limitações técnico-táticas do segundo. Vamos ter de viver com isto até ao final da época, resta saber quantos pontos nos custará até lá.



Já passámos a fase das vitórias morais por dar luta a equipas deste nível, e está mais que na altura de dar o passo seguinte. De qualquer forma, é apenas a Champions. Muito mais importante é saber mudar o chip para o nosso campeonato, onde não há qualquer margem ou tolerância para perder pontos.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O jovem Leão a dar o exemplo

Grande vitória do Sporting na Youth League, com uma vitória por 4-1 no terreno da Juventus. A primeira parte foi avassaladora, com a equipa a conseguir marcar 4 golos sem resposta, com destaque para Rafael Leão, que marcou os dois primeiros golos, sofreu o penálti que deu o terceiro, e ainda fez uma assistência para o quarto. O terceiro e o quarto foram marcados por Miguel Luís e Jovane Cabral, respetivamente.

Na segunda parte a equipa entrou a gerir o resultado, mas ficou com a vida mais complicada após uma expulsão absurda de Jovane (se alguém deveria ter sido expulso era o jogador da Juventus, que o agrediu claramente). A Juventus aproveitou a vantagem numérica para encostar o Sporting à área, marcou um golo, mas a partir daí a equipa soube reagir da melhor forma e conseguiu reequilibrar a partida e manter o resultado em 4-1.

O jovem leão (e também o jovem Leão) a dar o exemplo aos mais velhos.

Aqui ficam os golos do Sporting. Vale a pena ver, porque todas as jogadas (incluindo a que dá origem ao penálti) são um regalo para os olhos.


O Sporting subiu à 2ª posição, com 4 pontos. O Barcelona lidera com 9 pontos. A Juventus é 3ª, com 3 pontos, e o Olympiacos está em último com 1 ponto.

O tubarão que se segue

O Sporting joga esta tarde mais uma partida muito complicada no seu grupo da Liga dos Campeões. A novidade, em relação ao que a partidas muito complicadas diz respeito, é que, desta vez, o nosso adversário não se encontra num momento de forma exuberante. A Juventus, habituada a liderar a Serie A do princípio ao fim, caiu para um invulgar terceiro lugar após dois jogos sem ganhar.

Acresce a isso que a situação na Liga dos Campeões também não é propriamente folgada. Dificilmente chegarão ao 1º lugar após terem perdido 3-0 em Barcelona, e fizeram pouco mais que os mínimos frente ao Olympiakos. Mas isso, para o Sporting, não são boas notícias, porque isso significa que, para a Juventus, este par de jogos com o Sporting é uma espécie de final a duas mãos que pode assegurar ou condenar o objetivo de passagem à segunda fase da competição. Como tal, podemos esperar que a equipa de Turim vá encarar a partida de logo totalmente focada na obtenção da vitória - como se não bastasse o incrível talento e pragmatismo que têm.

Perante isto, o Sporting terá que aparecer com os níveis de competitividade e concentração demonstrados contra o Barcelona e durante 80 minutos em Atenas. Ao que parece, o departamento médico liderado pelo Dr. Frederico Varandas conseguiu recuperar Fábio Coentrão e Doumbia, duas peças fundamentais para um jogo com estas características. Battaglia será novamente peça-chave: depois de ter feito um bom trabalho com Messi, terá desta vez de ser a sombra de Dybala, outro compatriota seu que tem tido um arranque de época fenomenal.

No entanto, se quisermos aspirar à conquista dos três pontos existem três jogadores que terão de subir de rendimento em relação às últimas partidas: é fundamental que Acuña, Gelson e Bruno Fernandes saibam escolher os momentos para se soltarem das suas tarefas defensivas e criarem situações de desconforto para o adversário. Veremos se a pausa das seleções e Taça lhes fez bem: nas últimas duas semanas e meia, Acuña fez apenas 90 minutos pela seleção, Gelson cerca de 60 minutos e Bruno Fernandes não foi sequer utilizado.

De qualquer forma, trazer um ponto de Turim já seria um resultado extremamente positivo, não só por deixar-nos em boa posição para atacar o 2º lugar do grupo, mas também porque o crescimento europeu do Sporting necessita de resultados positivos contra tubarões europeus.

Rui Patrício; Piccini, Coates, Mathieu e Coentrão; Battaglia, William e Bruno Fernandes; Acuña, Gelson e Doumbia.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Uma escolha difícil para Rui Vitória

Assunto de capa da edição de hoje do Correio da Manhã:


Ou seja, segundo o jornal dirigido pelo mestre Octávio Ribeiro, Rui Vitória está indeciso entre utilizar um jogador que não está inscrito na Champions (Krovinovic) e um jogador que está inscrito na Champions (Jimenez). Isto, meus amigos, é jornalismo de alta qualidade.


Evolução dos custos com pessoal

Apesar de ainda estarmos à espera da publicação do R&C do Benfica referentes a 2016/17 - que ainda só comunicou à CMVM um resumo de 4 páginas - para fazer uma análise detalhada às contas dos três grandes, já é possível fazer uma comparação daquilo que cada um dos clubes gastou em salários da sua equipa de futebol.

Conforme se esperava, o Sporting foi o clube que mais aumentou os gastos com salários, mas, apesar disso, continua a ser (a alguma distância dos restantes) o grande que menos gasta.

A maior surpresa dos dados divulgados acaba por ser outra: apesar de o crescimento de custos do Sporting ter sido grande - de 49M para 64M, ou seja, aumentando cerca de 15M em relação a 2015/16 - e proporcionalmente mediático, a verdade é que o Benfica também aumentou os seus custos praticamente na mesma medida. Em 2015/16, o Benfica apresentou custos 61,5M, subindo, em 2016/17, para cerca de 74,7M. Ou seja, o Benfica aumentou os salários em 13M, quase tanto como o Sporting, mas isso não foi alvo de qualquer tipo de análises ou debates nos jornais e televisões.


O aumento foi de tal forma considerável que o Benfica acabou por ser o clube que mais gastou em salários, destronando o Porto dessa condição, que ocupou nas duas épocas anteriores. O aumento da despesa deve explicar-se pela entrada de jogadores caros como Carrillo, Zivkovic, Cervi e Rafa, apesar de terem saído jogadores como Gaitan (que estava no teto salarial), Carcela, Talisca e Taarabt (este apenas em janeiro). Se calhar os jogadores do Benfica, afinal, não jogam apenas pelo amor à camisola ou por sandes de torresmos.

Há, no entanto, que relembrar que o Benfica teve custos com prémios pelas conquistas da Liga e Taça de Portugal que o Porto não teve de suportar. Não fosse isso, e o Porto teria voltado a ser o clube mais gastador.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O afastamento do Correio da Manhã das instalações do Sporting

Bruno de Carvalho anunciou ontem, na sua página de Facebook, que os profissionais do Correio da Manhã e da CMTV serão impedidos de permanecer nas instalações do clube, por alegados motivos de segurança. 

O efeito prático desta decisão acaba por ser, como todos percebem, uma proibição de acesso aos funcionários desses órgãos de comunicação social. Os termos utilizados por Bruno de Carvalho no seu anúncio são uma forma de tentar transformar a proibição de acesso a um órgão de comunicação social específico - que não é permitido por lei - numa questão de segurança. Não sei se será eficaz, mas sei que esta medida peca por tardia.

Os direitos de que usufruimos enquanto cidadãos de um país livre acabam por proteger também aqueles que se optam por se movimentar nos limites dessas mesmas liberdades, aproveitando-se disso para violar os direitos de terceiros, seja mentindo, difamando ou intrometendo-se em assuntos da vida privada de figuras públicas (e às vezes nem figuras públicas são). Infelizmente, essa gente não merece a proteção que a lei lhes confere. Falamos da mesma malta que achou boa ideia fazer um direto de um velório de uma criança e usar um drone para filmar o seu funeral, que a família pretendia que fosse privado. A partir daqui, percebe-se a falta de decência da gente que dirige aquele jornal e aquele canal de televisão. O Correio da Manhã tem tanto de jornalismo como a necrofilia tem de culinária. Os seus responsáveis são um bando de oportunistas sem quaisquer escrúpulos, habituados a alimentar-se da miséria alheia. O único critério que os guia é o sensacionalismo enquanto caminho fácil de atingir maiores audiências, pelo que esta decisão do Sporting não pode ser considerada nenhum ataque à liberdade de imprensa. 

Para além da falta de critério jornalístico, de rigor e de qualidade, há ainda a questão da isenção: o Correio da Manhã não é isento, não faz qualquer esforço para ser isento, não quer ser isento. No que diz respeito ao futebol - não vou pronunciar sobre o que fazem noutras áreas da sociedade - toma partido claro por um dos clubes concorrentes do Sporting. No meu ponto de vista, só o facto de tentarem impingir Carlos Janela aos seus espectadores como comentador isento - apesar de todos saberem que é uma das cabeças da propaganda benfiquista - seria, para mim, motivo suficiente para serem escorraçados das instalações do clube. Acrescente-se todas as outras sacanices que vão fazendo quase todo o santo dia, e é fácil perceber por que motivo apoio a 100% esta decisão de Bruno de Carvalho.

P.S.: A única questão que, enquanto sócio, posso colocar ao meu presidente é a seguinte: por que razão foi esta a gota de água e não várias das coisas, tão más ou piores, feitas no passado? Voltamos a uma conversa já tida há alguns dias: ao ter decidido misturar a sua vida pessoal com a sua vida profissional, o presidente está a arranjar lenha para se queimar. Talvez não agora, talvez não num futuro próximo... mas é seguramente um tema que os seus inimigos irão guardar para ser utilizado no momento em que lhe puder causar maior dano.

sábado, 14 de outubro de 2017

A confissão clubística do Senhor Juiz

Foi rejeitado, pelo Tribunal da Comarca do Porto, a providência cautelar colocada pelo Benfica para impedir que o Porto continuasse a divulgar os emails que têm incendiado o futebol português nos últimos meses.

O Benfica reagiu prontamente à sentença, dizendo que irá recorrer para a 2ª instância. Um dos motivos da revolta encarnada é a "confissão clubística" do juiz que tomou a decisão - que, no início do processo, assumiu ser adepto portista.


É uma argumentação pertinente. Que garantias tem o Benfica de que o juiz consegue efetivamente alhear-se da sua condição de portista no momento de tomar a decisão? Em teoria, qualquer juiz deve estar preparado para pôr de lado todas as preferências e preconceitos pessoais, mas na prática sabemos que, muitas vezes, não é isso que acontece. Como tal, não deveria esta decisão ficar a cargo de um juiz que não ligue a futebol?

É claro que esta argumentação pode abrir outras questões: seguindo a mesma linha de raciocínio que o Benfica traçou ontem, então sportinguistas e portistas têm toda a legitimidade para não aceitar que os padres Manuel Mota, Nuno Almeida, Vasco Santos, Bruno Esteves (que estavam na lista que Adão Mendes passou a Pedro Guerra) e João Pinheiro (que manda e-mails confidenciais para o menino bonito Nuno Cabral) - para não falar de outros novos talentos da arbitragem que estão claramente ligados à mesma máquina - arbitrem jogos seus e do próprio Benfica, pois não dão garantias de isenção, que é uma característica fundamental que qualquer árbitro deve ter.

No caso destes árbitros - e ao contrário do juiz portista que tomou a decisão sobre a providência cautelar -, nem sequer estamos no domínio das suposições: basta olhar para o histórico de decisões polémicas que tiveram em jogos dos grandes - no caso de Vasco Santos, até como VAR já conseguiu ter uma decisão escandalosa a favorecer o Benfica, ao não dar indicações para expulsar Eliseu. A tendência em favorecer o clube da sua preferência é evidente aos olhos de todos. De que está o Conselho de Arbitragem à espera para os afastar em definitivo destes jogos?